Na medida em que o nosso conhecimento sobre tudo evolui, novas preocupações ganham protagonismo. Na área da saúde, talvez a biossegurança hospitalar seja um dos principais exemplos disso. Antigamente, certos cuidados não eram tomados por absoluta incompreensão dos riscos que alguns fatores biológicos representam para os pacientes. Algo, porém, inadmissível hoje.

Neste artigo, você entenderá melhor como o conceito da biossegurança hospitalar se aplica na rotina de uma instituição, especialmente quando falamos do centro cirúrgico. Continue a leitura e confira!

O que é a biossegurança hospitalar?

Pode definir esse conceito como o conjunto de práticas e procedimentos usados para lidar com amostras infecciosas, culturas de organismos e resíduos potencialmente maléficos à saúde humana, que são gerados pela própria atividade médica ou que podem estar presentes quase naturalmente nesses ambientes.

Desde muito tempo, a humanidade sabe da relevância da esterilização dos espaços e dos equipamentos utilizados em intervenções cirúrgicas e da necessidade do isolamento de doentes que apresentam determinadas condições, por exemplo. Essas iniciativas estão todas correlacionadas à ideia de biossegurança.

Porém, com o avanço da tecnologia e o aprofundamento dos estudos que nos permitem entender melhor os contextos, as ações necessárias para evitar as contaminações se tornaram cada vez mais complexas. Hoje, conseguimos saber como determinados organismos e agentes funcionam no nível de nanopartículas. Temos domínio sobre diversos tipos de causadores de enfermidades e distúrbios que, até bem pouco tempo, sequer eram conhecidos.

Biosafety e biosecurity

Em inglês, esses dois termos são utilizados de forma distinta, mas como não temos boas traduções para eles em português, acabamos tratando-os como sendo uma coisa só.

A “Biosecurity” seria algo mais simples, utilizado para definir as medidas tomadas para impedir que pessoas não autorizadas acessem materiais com potencial infeccioso. Isso está relacionado, por exemplo, ao processo de descarte do lixo hospitalar.

Já a “biosafety” diz respeito às práticas mais aprofundadas que devemos utilizar para impossibilitar a geração de fatores de risco, ou mesmo para eliminar as chances de que agentes biológicos inerentes às operações venham a contaminar os pacientes e profissionais eventualmente expostos.

A rotina do profissional de biossegurança hospitalar

Nesse sentido, o trabalho dos responsáveis pela biossegurança em um centro cirúrgico precisa levar em consideração muitos fatores. Eles precisam treinar as equipes para que mantenham a biossegurança em cada ambiente, além de conscientizar constantemente as pessoas acerca da sua importância.

Também devem conduzir a avaliação dos riscos e propor as ações de mitigação. Esses são os pontos focais para que os outros trabalhadores relatem eventuais problemas identificados e, assim, possam indicar as propostas para correção. Ainda, são esses profissionais que devem elaborar políticas, manuais e regras aplicadas à biossegurança.

De fato, a lista de atividades é extensa, e não deve ser negligenciada. Afinal, instituições de saúde lidam diariamente com vidas humanas, que não devem ser colocadas em risco por fatores que podem ser evitados.

É preciso, portanto, preparar todos os espaços do hospital — em especial as salas de cirurgia, por serem grande foco de problemas biológicos. Elas devem ser capazes de cumprir com o que é esperado em termos de biossegurança nessas situações de internação.

Quais são as principais boas práticas de biossegurança?

Quando falamos de iniciativas que contribuem para a biossegurança hospitalar em centros cirúrgicos, podemos mencionar diversas ações. Desde as mais simples — que, muitas vezes, são esquecidas por não se dar a elas a devida notabilidade — até as mais complexas, que demandam investimentos e esforços de todos, mas que jamais devem ser desprezadas em função de seus custos. Afinal, estamos falando do cuidado com a saúde dos pacientes.

O papel da gestão

Tudo começa com a definição de normas e regulamentos a respeito da biossegurança: as pessoas precisam ser orientadas e treinadas a respeito do que precisam fazer. E essa deve ser uma posição institucional, pois o hospital não pode esperar que elas simplesmente ajam de acordo com o bom senso.

Em outras palavras, é papel do gestor ter uma equipe bem preparada para levantar todos os riscos, classificá-los e criar os procedimentos que devem ser seguidos pelos demais.

A cultura de limpeza e organização

A partir daí, é possível disseminar uma cultura de limpeza e organização condizente com aquilo que precisa ser feito para reduzir ou mesmo eliminar a presença dos agentes que comprometem a biossegurança.

É necessário, dentre outras coisas, definir quais serão os produtos químicos utilizados para a esterilização de mãos e instrumentos em cada tipo de espaço, dependendo dos graus de contaminação que podem estar presentes. Também, deve-se dar as diretrizes para a correta destinação, em tempo hábil, aos resíduos que são gerados em cada operação.

Os equipamentos de proteção

O uso dos chamados EPIs (equipamentos de proteção individual) e EPCs (equipamento de proteção coletiva), bastante disseminado em indústrias pela forte presença da segurança do trabalho, também se faz necessário no ambiente hospitalar. Diversos deles são, inclusive, obrigatórios, como luvas, máscaras cirúrgicas e óculos de proteção.

Dentre os de uso comum se destacam os chuveiros para lavagem de botas e aventais, os kits de primeiros socorros e as cabines de áreas químicas, que propiciam a circulação de ar livre de elementos contaminantes.

Uma responsabilidade compartilhada

Vale dizer, ainda, que a biossegurança hospitalar deve ser observada por todos. De nada adianta fazer um alto investimento em equipamentos capazes de purificar o ar e eliminar vírus e bactérias em larga escala, por exemplo, se os médicos e enfermeiros continuarem utilizando jalecos sujos, ou se os técnicos de instrumentação forem relapsos ao esterilizar algo que aparentemente era simples.

É preciso tratar essa questão como cultura, garantindo que todos sejam envolvidos e comprometidos com os resultados. Aliás, é bastante comum observar que todas as medidas de segurança são corretamente tomadas em situações mais específicas, como o acontecimento de uma grande cirurgia, mas acabam sendo deixadas de lado em outros eventos mais rotineiros. Isso jamais deveria acontecer — o cuidado deve ser constante.

É fundamental, portanto, que toda a equipe seja capacitada em termos da biossegurança hospitalar. Como vimos, esse tema é muito sério e todos aqueles que estão no ambiente podem ser afetados, então, os profissionais precisam cuidar não apenas da integridade dos pacientes, mas também de suas próprias. Quanto mais o assunto for discutido e maior for a promoção das boas práticas, melhores serão os resultados!

Enfim, a sua instituição já está preparada para lidar com as questões da biossegurança hospitalar? Sobrou alguma dúvida sobre o assunto? Deixe o seu comentário aqui no post e compartilhe suas impressões conosco!

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