A crescente utilização da inteligência artificial tem trazido benefícios para diversas áreas. Esse processo não é diferente na área da saúde. Imagine ter o poder de prever e intervir no caso de uma parada cardíaca, ter diagnósticos mais eficientes e completos, ou mesmo aplicar medicações em pacientes internados de forma automática e sem erros.

A inteligência artificial leva a prestação de serviços de saúde a outro patamar, trazendo melhorias às operações hospitalares e às diversas especialidades clínicas. Algumas inovações, como a maior possibilidade de uso dos recursos computacionais, além da geração e o tratamento de dados em larga escala, permitem ganhos de qualidade e de eficiência nos tratamentos e nos cuidados oferecidos aos pacientes.

Neste artigo, entenda melhor como a inteligência artificial pode fazer a diferença nos processos de gestão hospitalar.

O que é a inteligência artificial?

O conceito de inteligência artificial (IA) está relacionado à capacidade de um computador ou de um robô, controlado por um sistema computacional, executar tarefas comumente realizadas por humanos. O termo é frequentemente associado ao desenvolvimento de lógicas capazes de realizar alguns processos intelectuais característicos das pessoas, como raciocinar, descobrir significado, generalizar ou aprender com as experiências anteriores.

Desde o início do aperfeiçoamento dos computadores, nos anos 1940, começou a ficar evidente a possibilidade de programar esses dispositivos para realizar tarefas complexas, como operações matemáticas ou mesmo jogar xadrez.

Atualmente, alguns programas atingiram níveis de performance especializada muito altos na execução de certas tarefas específicas, de modo que a inteligência artificial já está sendo utilizada em aplicações diversas, como diagnósticos médicos, mecanismos de pesquisa e reconhecimento de voz ou caligrafia. Inclusive, já há robôs capazes de interpretar e simular emoções.

Quando nos referimos aos humanos, atribuímos todos os nossos comportamentos à inteligência. Já quando tratamos de animais, normalmente, dizemos que suas ações são movidas por instintos. Isso tem a ver com a capacidade de aprendizagem e de tomar decisões distintas, por influências diversas. Então, quando atribuímos a um sistema computacional a prerrogativa da inteligência, queremos dizer que aquele dispositivo pode, de certa forma, fazer mais do que executar simples padrões.

O que muda com a utilização da inteligência artificial?

Esse é um tema que vem se tornando tendência e promovendo grandes revoluções em diversos segmentos. A inteligência artificial tem mudado a forma como as empresas gerenciam seus processos, produzem seus produtos e prestam seus serviços.

Neste momento, muito do trabalho que costumava ser feito por humanos já está sendo realizado por máquinas: de operações bancárias mais simples a rotinas complexas em fábricas ou decisões de aplicações financeiras que levam em conta cenários futuros. Os sistemas utilizados em nosso dia a dia estão aperfeiçoando suas tarefas e aprendendo a resolver problemas novos, o que há bem pouco tempo era considerado impossível para esse tipo de dispositivo.

Consequentemente, pessoas começam a perguntar se a possibilidade de serem substituídos por um robô é, de fato, real. Os aplicativos de serviço de transporte de passageiros, por exemplo, estão investindo pesado em carros autônomos, que funcionam sem motoristas. Em algumas cidades dos Estados Unidos, já é possível observar esse sistema em teste, apesar de esses veículos ainda não apresentarem um bom desempenho em determinadas condições. Mas, muito em breve, essa prática se tornará comum em todo o mundo.

Como a IA se aplica ao setor de saúde?

Na área médica, a inteligência artificial já tem trazido inúmeras possibilidades de ganho. Por exemplo, existem alguns sistemas utilizados para classificar imagens médicas e indicar se um paciente apresenta uma doença ou não, com melhor precisão do que humanos treinados. Mas eles não substituem os médicos e radiologistas, são usados como ferramentas de apoio para confirmar suas suposições e conclusões.

No entanto, ao contrário de outras indústrias, a adoção da IA pelo segmento de saúde ainda se encontra em um nível preliminar, longe de todo o potencial que pode alcançar. De acordo com um estudo da Accenture, o crescimento dos investimentos em inteligência artificial no mercado de saúde deve atingir US$ 6,6 bilhões até 2021.

A IA oferece uma oportunidade de trabalhar não somente com ferramentas e insights, que por si só já podem melhorar muito o atendimento ao paciente, mas também de evoluir a medicina e alcançar resultados nunca antes imaginados. Basta pensar na quantidade de doenças, enfermidades, síndromes e condições que desconhecíamos 10 anos atrás. Listamos aqui algumas aplicações que já são realidade no mercado.

Telemedicina

A telemedicina é uma abordagem que trata da utilização de tecnologias de ponta, no que tange à gestão da informação e das telecomunicações, para a otimização da área médica. Por meio de sua aplicação, o cuidado pode ser realizado de forma remota, com o médico estando em um local diferente do paciente. Vale-se de recursos como dispositivos de vídeo e da própria internet para estabelecer comunicação entre diferentes entes interessados.

Em resumo, é a medicina exercida à distância. Ela tem sido praticada em ações mais simples, como a interação entre médicos para a publicação de artigos científicos ou para informar resultados de testes de laboratório, e em atividades mais complexas, como prestar assistência a pacientes de alto risco ou mesmo realizar cirurgias em tempo real com robôs controlados remotamente. A inteligência artificial possibilita o uso cada vez mais intensivo da telemedicina e, de certa forma, democratiza o acesso aos serviços médicos.

Big data em diagnósticos

O avanço dos sistemas computacionais nos permite ter acesso fácil a uma enorme quantidade de dados, que até bem pouco tempo eram inimagináveis. Chamamos essa capacidade de obtenção e armazenagem de informações de big data.

Na área da saúde, as aplicações são as mais diversas. Um profissional do ramo pode, por exemplo, saber antes de prescrever uma receita se o paciente tem um alto risco de se tornar dependente, e dessa forma, propor um tratamento diferente. O acesso à informação sobre o comportamento do paciente e suas informações psicossociais, além de outros dados médicos, pode apontar para o desenvolvimento de uma doença crônica — ou para outra enfermidade que ainda não foi diagnosticada corretamente.

Essa ferramenta também pode ser utilizada para monitoramento e análise da saúde de uma população, seja de uma microrregião, seja de um país. Essa é uma das possibilidades de uso mais aguardadas pelos agentes de saúde, em especial para os que cuidam do segmento na esfera pública, pois pode melhorar muito a orientação às campanhas e investimentos em prevenção e os cuidados em cenários de crises e epidemias.

Gestão hospitalar

As novas tecnologias permitem aos gestores terem uma maior capacidade de controlar e melhorar a performance de suas unidades, otimizando os processos e a utilização de recursos, além de diminuírem custos. Hoje já existem sistemas que executam rotinas administrativas de forma automatizada, fazendo com que não se perca tempo pagando contas ou processando faturas.

Há também softwares que auxiliam na prestação de serviço em si, como no agendamento de cirurgias. Esse tipo de inovação diminui a quantidade de erros e dá ao gestor insumos para realizar suas atividades de uma forma mais segura, eficiente e com maiores possibilidades de retorno para a instituição.

A inteligência artificial pode ser uma grande aliada para a área da saúde. A tendência é que sua utilização se torne cada vez mais intensa, principalmente porque os problemas típicos que observamos, que vão desde o mau funcionamento de um dispositivo até dilemas éticos relacionados às suas aplicações, vão sendo superados dia após dia, numa velocidade bem mais rápida do que em outros tempos. É fundamental que as instituições se abram para essas novas tecnologias, pois os benefícios são enormes.

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